Serão destacados textos actuais, mas também textos "perdidos" pelos arquivos.
Como primeira escolha resolvi destacar este texto do António Duarte e acho que será desnecessário explicar a razão...:
Texto "Cartel" I:
Requerimento à Sra. Ministra da Avaliação
Foram tantas as coisas que fizemos bem, que não temos de perder tempo com o que fizemos mal.
Vitalino Canas, porta-voz do PS
Solicito a Vexa., Sra. Ministra, autorização para aplicar, na minha auto-avaliação, o mesmo critério utilizado pelo Partido que sustenta o governo na avaliação que fez do seu próprio desempenho.
Cartelado por António Duarte
13/03/08
Texto "Cartel" II:
Falem professores. Falem...
Será que não lhes apetece demonstrar que hoje são os bombos da festa? Será que não têm mais verdades a dizer quer aos pais dos alunos quer à ministra quer ao governo?
«Aqui os alunos não chumbam!”, por exemplo. Não deverão os professores dizer claramente que os estudantes devem ser responsabilizados pelo seu rendimento escolar, sem subterfúgios nem políticas que os tornem mais infantis que o são na realidade?
Não deverão dizer, alto e bom som, que é o trabalho individual de cada aluno que lhe permite preparar-se para o futuro?
Não deverão demonstrar que os alunos não devem ser instruídos, e aprender a tomar para si todos os proveitos que lhes são oferecidos por uma disputa entre professores –ministra-encarregados de educação?
Os pais, muitas vezes, atribuem o insucesso dos seus filhos – que deixará de existir – apenas aos professores, porque preferem ignorar que os filhos não fazem os trabalhos de casa e nada ligam às explicações durante as aulas e, de tudo isso culpam os professores, porque não avisam os pais ou encarregados de educação que o aluno simplesmente os não faz e tem mau comportamento. Em que ficam, senhores professores?
Por outro lado, os pais acreditam muito seriamente nos seus filhos, sem colocar em dúvida tudo o que lhes dizem, o que se vai depois reflectir numa geração que rejeita a responsabilidade dos seus actos e abomina os professores, desrespeitando-os por completo.
Mas também é preciso que os professores lutem pela sua dignidade no exercício da sua profissão ingrata de ensinar. É preciso que não se esqueçam daquelas recusas da aposentação a colegas doentes, gravemente doentes, que praticamente morreram ao serviço. É preciso lutar para alterar um status completamente errado, que permite seja o Ministério das Finanças, não o da Saúde, a superintender as Juntas Médicas na Caixa Geral de Aposentações.
É preciso não permitir abafar uma luta com outra, mesmo que talvez mais mediática. Se uma é pela defesa dos direitos e deveres dos professores e alunos, como encarregados de educação ou pais, a outra é pela sua dignidade de seres humanos, até na morte.
Um Conselho de Professores deve saber exigir mais e melhor. Não deve ficar-se por uma luta que tende a eternizar-se, pondo de lado todas as outras – e serão muitas.
Torna-se degradante assistir a verdadeiros actos de terrorismo praticados em professores doentes a quem foi recusada a aposentação por pessoas que nada entendem de saúde, já que não médicos.
Um Sindicato deve saber também debruçar-se sobre esses casos, nada dignificantes para a classe, que já pecam por demasiados e, ao que parece, relegados para um segundo pleno ou mesmo o rol dos esquecimentos.
Ou seja, nem só de reparos sobre os alunos e aos alunos se deve travar a luta dos professores. Não se deve resumir a isso apenas.
Os professores têm mais obrigações! Defender todos os seus direitos e garantias, sendo uma das principais, se não a mais importante, a sua dignidade na vida profissional, sim, mas não esquecendo ou pondo de lado sobretudo a dignidade na doença… na morte.
Concordo com a luta dos professores, mas gostaria que todos a víssemos no plural e víssemos sobretudo que lutam por todos e não apenas alguns dos seus direitos.
Mantendo os diferentes papéis que lhes são conferidos pela idade e pela experiência, é fundamental que os professores saibam fazer um esforço real para se fazerem respeitar integralmente; só desse modo poderão ser ouvidos e as suas opiniões e reivindicações levadas em conta.
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